O apresentador da Fox News, Jesse Watters, não se conteve em “The Five” nesta quarta-feira. Ele lançou-se numa defesa bizarra contra o que chama de perigos do ensino superior para as mulheres. Sua conclusão? Um Ph.D. pode estar matando sua vida amorosa. É uma abordagem que parece menos um comentário social e mais uma defesa dos papéis tradicionais de gênero disfarçados de conselhos de carreira.
Watters, que é pai de três filhas, argumentou que os homens simplesmente não se importam se a sua parceira possui um diploma avançado. Ele sugeriu que as mulheres que buscam diplomas tão sofisticados muitas vezes acabam solteiras e amargas. A lógica segue um caminho previsível, embora redutor: contrair empréstimos para humanidades ou ciências sociais. Espere até completar 28 anos. Perceba que você não tem habilidades básicas. Rejeite o salário mais baixo porque você acha que seu diploma o torna bom demais para isso.
“Se você vai fazer um empréstimo para se formar em humanidades ou ciências sociais, o que você está pensando? Você não terá experiência e não poderá pagar o salário que deseja”, disse Watters.
Ele alegou que muitos de seus amigos com esses diplomas vinham de famílias ricas. Aqueles que não fizeram? Freqüentemente, eles voltam a morar com os pais. E essa proximidade tem consequências nas suas perspectivas românticas.
Os homens não priorizam um doutorado. Não está no topo da lista de atributos desejáveis. Portanto, essas mulheres instruídas permanecem solteiras. Watters disse que o status de solteiro gera ressentimento. O ressentimento os torna amargos. A amargura os torna pouco atraentes. Ninguém quer namorar alguém com uma atitude ruim. É um ciclo que, segundo ele, deixa essas mulheres profissional e pessoalmente isoladas.
Seu conselho? Encontre o amor. Construir uma vida é mais fácil com uma segunda renda. Isto contrasta fortemente com a mensagem do Partido Democrata, que ele acusou de dizer aos eleitores que eles são vítimas com direito a apoio. Ele acredita que os democratas ensinam às pessoas que elas não conseguem cuidar de si mesmas e depois lhes oferecem esmolas enquanto punem o sucesso.
A internet reagiu instantaneamente. Os críticos chamaram os comentários de sexistas e misóginos. Um usuário do X observou que mulheres inteligentes e instruídas ainda se casam diariamente. Outro escreveu que o próprio discurso grita rejeição por parte de mulheres inteligentes. Foi uma abordagem superficial, disseram eles, revelando mais sobre o orador do que sobre o assunto.
Esta não é a primeira vez que Watters provoca indignação recentemente. Poucos dias antes, ele enfrentou reação negativa por uma piada sobre o secretário de Defesa Pete Hegseth. Hegseth propôs testes de testosterona para militares com mais de 30 anos. A resposta de Watters foi assustadora. Ele alertou as mulheres na base e durante escalas nos portos da Ásia para terem cuidado. Ele disse que esses soldados mais velhos se tornariam animais selvagens.
Muitos consideraram a piada uma forma de minimizar a agressão sexual. Isso não é motivo de riso. O relatório de 2024 do Pentágono confirmou 6.973 relatos de agressão sexual entre militares em 2023. Os dados também mostraram que 6,8 por cento das mulheres na ativa e 1,3 por cento dos homens na ativa experimentaram contato sexual indesejado em 2022.
Os comentários de Watters sobre as mulheres instruídas ficam desconfortavelmente próximos aos seus comentários sobre o pessoal militar. Ambos abordam o medo de mudar a dinâmica social. Um deles visa a ambição das mulheres. O outro transforma a biologia masculina em uma arma para sugerir perigo. Ambos se baseiam em estereótipos e não em evidências.
Watters realmente acreditava que o valor de uma mulher cai à medida que sua educação aumenta? Ou ele está apenas ecoando um sentimento que sabe que repercute em um determinado grupo demográfico? A linha entre opinião e preconceito é tênue quando os dados não a sustentam.
A resistência sugere que o público está mudando. Ou talvez esteja apenas mais alto agora. De qualquer forma, a mensagem permanece clara: os caminhos tradicionais estão a ser questionados e aqueles que os defendem estão a lutar para encontrar novos argumentos. O discurso de Watters não ofereceu nada. Apenas um reflexo de ansiedade, embalado como um conselho.
Isso nos deixa com uma pergunta simples. Quem está realmente perdendo? A mulher educada que escolhe a profundidade em vez da velocidade? Ou o anfitrião segue um roteiro que não cabe mais na sala?
Os números da agressão sexual nas forças armadas não mudaram muito. Nem as atitudes por trás disso. A mudança é lenta. Os discursos são rápidos. Ficamos observando-os passar.



























