Creatina. Construtor muscular. Grampo da academia.
Esqueça isso por um segundo.
Novos dados sugerem que isso pode causar algo inesperado no seu humor. Especificamente, pode ajudar a tratar a depressão em mulheres.
Uma revisão sistemática acabou de chegar ao Canadian Journal of Psychiatry.
Os autores não chamam isso de cura milagrosa. Eles chamam isso de tratamento potencial.
O link é real o suficiente para merecer atenção. Ainda não o suficiente para colocar em todos os blocos de receitas, mas perto o suficiente para nos fazer parar.
A creatina pode ter um potencial inexplorado como tratamento para a depressão.
Quem olhou para isso? Nicolau Fabiano, MD. Ele é residente na Universidade de Ottawa e coautor. Hillary Ammon, PsyD. Ela trabalha com ansiedade e bem-estar emocional das mulheres. E Thea Gallagher, PsyD da NYU Langone.
O que os dados realmente dizem
Cinco tentativas. Duzentos e trinta e oito participantes.
A maioria eram mulheres. A idade média era de trinta e seis anos.
Aqui está a divisão:
– Dois estudos mostraram que a creatina reduziu os sintomas depressivos.
– Três estudos mostraram… nada. Nenhuma mudança significativa.
Veja os vencedores.
Um estudo fez com que mulheres tomassem cinco gramas de creatina diariamente junto com escitalopram (um antidepressivo).
Oito semanas depois. O grupo da creatina melhorou significativamente mais do que aqueles que tomaram a droga com placebo.
O outro ensaio bem sucedido misturou os sexos. Os participantes fizeram terapia cognitivo-comportamental. Metade tomou creatina, metade tomou comprimidos de açúcar.
Mesmo resultado. Os usuários de creatina melhoraram mais rápido.
Os perdedores?
Um estudo em pacientes resistentes ao tratamento que tomam cinco a dez gramas. Um estudo sobre meninas adolescentes. Um ensaio envolvendo transtorno bipolar.
Ninguém percebeu uma melhora no humor com o suplemento.
Também digno de nota. Duas pessoas com transtorno bipolar entraram em hipomania ou mania após tomar creatina.
Esse é um risco específico.
Por que funciona? (Talvez)
Nós não sabemos. Na verdade.
Dr. Fabiano admite. O mecanismo é uma caixa preta neste momento.
Aqui está a teoria principal, no entanto.
A creatina produz ATP.
ATP é moeda energética. Para o seu corpo. E especialmente seu cérebro.
O ATP é essencialmente o combustível para o funcionamento das nossas células cerebrais.
Dr. Ammon ressalta que o cérebro queima grandes quantidades de energia. Se a depressão altera o metabolismo cerebral, talvez adicionar mais combustível ajude o motor a funcionar novamente.
Mais moeda energética. Menos fadiga. Um leve empurrão para cima.
Plausível? Sim.
Comprovado? Não.
A disparidade de gênero
Por que havia tantas mulheres na mistura?
A biologia desempenha um papel. As mulheres tendem a ter menos massa muscular. Portanto, diminua os estoques totais de creatina. Algumas evidências também apontam para níveis mais baixos em regiões específicas do cérebro.
Estudos pré-clínicos em animais sugerem efeitos específicos do sexo. As fêmeas obtêm benefícios mais consistentes da creatina do que os machos.
Depois há a logística.
A depressão é duas vezes mais comum em mulheres. É mais fácil recrutar sujeitos quando você precisa deles.
Não é necessariamente preconceito. É a demografia encontrando a biologia.
O dilema da dose
Quanto você deve levar?
Ninguém pode te dizer com certeza.
Os estudos variaram muito. Dois gramas a dez gramas por dia.
Essa é uma grande janela para uma única resposta.
Então o que fazemos?
Pare de torcer pela manchete.
Três em cada cinco estudos não encontraram nenhum benefício.
Os tamanhos das amostras eram pequenos. A ciência é precoce.
Dr. Gallagher adverte contra o exagero dos resultados.
“É promissor.” Prometer não é o mesmo que estar pronto.
Dr. Ammon especula que os hormônios femininos podem ser a variável chave. Isso abre uma nova porta, certamente. Mas não é uma porta pela qual você passa sozinho.
Isso não está substituindo a terapia. Não é trocar seus comprimidos.
É outra ferramenta na caixa. Talvez.
Se você está deprimido, a creatina pode ajudar. Talvez não.
E para alguns, isso pode piorar as coisas.
