A indústria estética passou por uma transformação dramática nas últimas duas décadas. O que antes era domínio de dermatologistas e cirurgiões plásticos certificados agora é acessível por meio de uma rede de spas médicos em rápida expansão – instalações elegantes e modernas que prometem aprimoramentos de beleza sem esforço. Estas empresas proliferaram nos Estados Unidos, gerando cerca de 17 mil milhões de dólares anualmente, mais do triplo das receitas de 2012. Mas este crescimento traz consigo questões sobre segurança, padrões de formação e se a conveniência compensa os riscos potenciais.
Do atendimento especializado à tendência dominante
Durante anos, procedimentos estéticos como Botox e preenchimentos foram oferecidos exclusivamente por médicos altamente treinados e especializados em anatomia facial. A mudança começou no início dos anos 2000, à medida que enfermeiros (NPs), enfermeiros registrados (RNs) e médicos associados (PAs) entravam cada vez mais na área. Isto coincidiu com uma procura crescente por tratamentos acessíveis e económicos, bem como com tácticas agressivas de marketing nas redes sociais, normalizando procedimentos anteriormente reservados a ambientes médicos.
O resultado é um cenário onde os consumidores podem reservar injetáveis online em minutos, muitas vezes a preços mais baixos do que as práticas tradicionais. Os spas médicos capitalizam esta procura oferecendo associações agrupadas, configurações semelhantes às do retalho e preços diferenciados dos fabricantes, por vezes até operando com prejuízo em certos tratamentos para atrair clientes para pacotes mais lucrativos. A tendência é alimentada por uma “seca dermatologista” em muitas áreas, onde os tempos de espera pelas consultas especializadas são longos, fazendo com que os consumidores procurem alternativas mais rápidas.
O fascínio dos injetores não médicos
O aumento de consumidores de drogas injectáveis não-médicos – particularmente RN e PA – é fundamental para esta mudança. Muitos fizeram a transição de funções médicas tradicionais, impulsionados pela alta demanda e pela renda potencial na medicina estética. Influenciadores como Roxette Romanes, RN, popularizaram ainda mais a tendência ao demonstrar técnicas de “equilíbrio facial” que vão além da simples redução de rugas.
Embora os proponentes argumentem que funcionários dedicados de spas médicos realizam tratamentos estéticos com mais frequência do que dermatologistas ou cirurgiões plásticos ocupados, permanecem preocupações sobre treinamento e supervisão adequados. Alguns estados permitem que enfermeiros e PAs injetem após experiência prática mínima, aumentando o risco de complicações.
Riscos reais e contos de advertência
A conveniência dos spas médicos traz consigo perigos inerentes. Na Pensilvânia, uma mulher de 35 anos passou quatro dias no hospital depois de desenvolver infecções causadas por injeções de preenchimento dérmico em uma instalação não regulamentada. No Novo México, as transmissões de VIH foram associadas à reutilização de equipamento descartável num spa médico entre 2018 e 2023 – os primeiros casos documentados de VIH relacionado com procedimentos cosméticos nos EUA.
Mesmo com injetores qualificados, podem ocorrer complicações, incluindo oclusão vascular (potencialmente causando cegueira), queimaduras causadas por lasers, infecções por tratamentos contaminados como PRP e resultados não naturais devido a dosagem inadequada ou falta de julgamento estético.
A necessidade de supervisão e treinamento
A formação adequada é o principal diferenciador entre resultados seguros e riscos graves para a saúde. Injetores experientes como Romanes e Nelson investem pesadamente em educação contínua, gastando dezenas de milhares de dólares em workshops, viagens internacionais e certificações avançadas. Isto contrasta fortemente com aqueles que entram no campo com experiência mínima, contando com cursos de fim de semana ou com supervisão inadequada.
Muitos spas médicos são legalmente obrigados a ter um diretor médico, mas os críticos alertam que esses médicos muitas vezes estão fora do local ou não têm treinamento especializado em estética. O diretor médico não precisa necessariamente ser dermatologista ou cirurgião plástico, o que pode levar a uma supervisão menos informada.
O Futuro da Medicina Estética
O boom dos spas médicos não mostra sinais de desaceleração. Para mitigar os riscos, os consumidores devem priorizar instalações com padrões de segurança rigorosos, profissionais totalmente licenciados e supervisão médica ativa. A indústria precisa elevar os requisitos de treinamento, garantir a supervisão adequada e priorizar a segurança do paciente em detrimento da conveniência.
O crescimento dos spas médicos apresenta oportunidades e perigos. Embora o aumento do acesso aos tratamentos estéticos seja inegável, manter a qualidade e minimizar os riscos requer um compromisso com uma formação completa, uma regulamentação responsável e uma compreensão clara das implicações médicas envolvidas.
